O Vintém de Ouro

O Sistema Monetário Colonial do Brasil mantinha uma clássica ordem de valores dobrados a cada nível acima de moeda cunhada, portanto com valores de 10, 20, 40, 80, 160, 320, 640 e 960 réis que, em grande parte, minimizava a problemática do troco. No entanto, a província de Minas Gerais produziu um problema tão grave de troco, no início da segunda década do século XIX, que afetou diretamente os interesses da metrópole e exigiu medidas drásticas para evitar grandes perdas ao cofre português.

O ouro de aluvião(1), garimpado em bateias(2) e vendido normalmente em oitavos de onças - o dracma (3,585g) - começava a causar dificuldades no momento da comercialização de frações ainda menores, cuja falta de troco, beneficiava os faisqueiros(3) com prejuízo ao Reino.


O vintém de ouro

A Oitava de Ouro

Uma oitava de ouro correspondia a 1200 réis (já descontado o Quinto(4)) que se obtinha com duas moedas de 640 réis e, de troco, um cobre de 80 réis. Contudo, era muito comum o comércio do metal do fundo de uma bateia por dois vinténs (1/16 de oitava). O vintém fazia parte do antigo sistema de unidades portuguesas e correspondia a 1/32 de oitava (0,112g). Fazendo-se as contas, se uma oitava correspondia a 1200 réis, então, a 1/32 parte de uma oitava (o vintém), correspondia a exatos 37,5 réis.

A impossibilidade dos faisqueiros de dar troco de 5 réis para uma moeda de 80 réis permitia que eles embolsassem esses 5 réis causando uma perda razoável para a Coroa.

Vinténs para Troco

Para resolver o problema, em 1818, a Casa da Moeda do Rio de Janeiro foi reaberta para cunhar uma das moedas mais intrigantes da história da numismática mundial: o Vintém de Ouro. O nome sugere uma moeda de vinte réis cunhada em ouro, no entanto, é uma moeda de cobre de 37 ½ réis. O nome vintém vem da medida de peso equivalente a 1/32 da oitava de ouro.


2 vinténs de ouro
Inicialmente batida (1818) no Rio de Janeiro, para circular em Minas Gerais, logo começou a ser produzida na Casa da Moeda de Minas Gerais (1818 a 1821 e 1823 a 1828). Foram batidas, também, moedas de 75 réis (dois vinténs de ouro). Em 1823, a Casa da Moeda de Goiás também bateu moedas de 75 réis.

Em resumo, o "Vintém de Ouro" é uma moeda de cobre, com valor de face de 37,5 réis, criada para que duas delas totalizassem os 75 réis necessários para pagar os faisqueiros e eliminar o prejuízo da coroa portuguesa.

Fonte: Texto adaptado de O vintém de Ouro, Wikipédia

 

dicionário

(1) Aluvião: Depósito de cascalho, areia e argila que se forma junto às margens ou à foz dos rios, proveniente do trabalho de erosão.
(2)
Bateia: Vasilha baixa de madeira que se usa na lavagem das areias auríferas ou do cascalho diamantífero.
(3) Faisqueiro: Faiscador, garimpeiro.
(4)
Quinto: Imposto cobrado pela Coroa sobre o ouro encontrado em suas colônias.

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