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1895-1916 Fazenda Bom Sucesso
1 quarta (1895)
$ MOEDAS PARTICULARES mat latão ø23,0mm brd liso
1 terça (1895)
$ MOEDAS PARTICULARES mat latão ø25,0mm brd liso
1 alqueire (1895)
$ MOEDAS PARTICULARES mat latão ø30,0mm brd liso
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$ = padrão monetário;
mat = material de que é feito a moeda;
ø = diâmetro em milímetros; m = massa (peso) em gramas;
‡ = espessura em milímetros; brd = formato do bordo;
ø = diâmetro em milímetros; m = massa (peso) em gramas;
‡ = espessura em milímetros; brd = formato do bordo;
CONTEXTO HISTÓRICO
O ciclo do café na Serra de Baturité e suas moedas singulares
A cerca de 100 km de Fortaleza, a Serra de Baturité viveu, com a cultura do café, o seu período áureo — comparável, em importância regional, ao ciclo da borracha na Amazônia. Diferente de outras áreas produtoras, ali o café não dependia exclusivamente dos grandes latifúndios, mas florescia nas pequenas roças e capoeiras cultivadas por numerosos proprietários locais.
Entre eles, destacou-se a Fazenda Bom Sucesso, de Manoel José D’Oliveira. Sua localização privilegiada e abundância hídrica permitiram a construção de um “rodeiro” para beneficiar o café. Com essa estrutura, boas vias de comunicação e a confiança da vizinhança, Manoel passou a processar praticamente toda a produção da serra, tornando-se um dos maiores proprietários da região entre o final do século XIX e o início do XX.
Moedas de café
Com grande poder aquisitivo, Manoel foi além: mandou cunhar moedas na Europa — provavelmente em Portugal, segundo pesquisa do historiador Levy Jucá. Essas peças tinham uma particularidade única: em vez de trazer valores em réis, indicavam medidas de cereais, como um Alqueire, uma Terça, uma Quarta. O sistema facilitava a compra do café colhido, transformando as moedas em instrumentos práticos de negociação.
Credibilidade e circulação
Graças à confiança que Manoel J. D’Oliveira inspirava, essas moedas ganharam liquidez no comércio local e regional. Circularam por cerca de 20 anos, entre 1896 e 1916, sendo aceitas não apenas em Baturité, mas também em cidades vizinhas como Maranguape e Quixadá.
Um capítulo curioso da história econômica
Essas moedas de café são hoje lembradas como um episódio singular da história monetária brasileira. Mais do que simples instrumentos de troca, elas revelam a criatividade e a força de uma economia regional, onde a confiança pessoal e o valor da terra se transformaram em moeda corrente.