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1832-1832 Carimbos Locais: Icó - Cobre
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$ = padrão monetário;
mat = material de que é feito a moeda;
ø = diâmetro em milímetros; m = massa (peso) em gramas;
‡ = espessura em milímetros; brd = formato do bordo;
ø = diâmetro em milímetros; m = massa (peso) em gramas;
‡ = espessura em milímetros; brd = formato do bordo;
CONTEXTO HISTÓRICO
O carimbo ICÓ: marcas de uma insurreição no sertão cearense
Em 1834, moedas de cobre passaram a carregar um curioso carimbo unifacial: ICÓ. Gravadas pelos revolucionários da cidade homônima, no interior do Ceará, essas marcas podiam aparecer em diferentes valores — coloniais ou imperiais — e surgiam em variantes como ICO, YCO, JCO ou IGO. Mais do que simples inscrições, eram símbolos de um movimento político turbulento que sacudiu o sertão nordestino: a Revolta do Pinto Madeira, em 1832.
O episódio nasceu da crise que se seguiu à abdicação de D. Pedro I, em 1831. Enquanto o Rio de Janeiro e outras províncias buscavam consolidar a Regência, no interior do Ceará crescia um movimento restaurador, liderado pelo coronel Joaquim Pinto Madeira e pelo padre Antônio Manuel de Souza. Seu objetivo era claro: recolocar Pedro I no trono e reafirmar valores monárquicos e católicos contra o avanço das ideias liberais.
A insurreição mobilizou sertanejos pobres, mestiços e negros — os chamados “cabras” — e espalhou-se pelo Cariri e por Icó. O governo provincial reagiu com dureza, enviando tropas de províncias vizinhas para sufocar o levante. Em 1834, Pinto Madeira foi capturado e executado, encerrando de forma sangrenta a revolta.
Os carimbos ICÓ, portanto, não são apenas curiosidades numismáticas: são vestígios materiais de uma luta política que marcou o início conturbado do período regencial. Hoje, exemplares dessas moedas sobrevivem como testemunhos raros de um Brasil dividido entre projetos de poder — e lembram que até mesmo o cobre cunhado podia se transformar em bandeira de insurreição.