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1 quarta (1895) - 1895-1916 Fazenda Bom Sucesso
1 terça (1895) - 1895-1916 Fazenda Bom Sucesso
1 alqueire (1895) - 1895-1916 Fazenda Bom Sucesso

1 terça (1895)

1895-1916 Fazenda Bom Sucesso

INFORMAÇÕES PRINCIPAIS

Valor facial: 1 terça
Denominação: 1 terça
Padrão Monetário: Moedas Particulares
Série: Fazenda Bom Sucesso
Período de emissão: 1895
Material: latão
Situacao: curiosidade

FACES DA MOEDA

Anverso de 1 terça (1895) - 1895-1916 Fazenda Bom Sucesso
Bordo de 1 terça (1895) - 1895-1916 Fazenda Bom Sucesso
Reverso de 1 terça (1895) - 1895-1916 Fazenda Bom Sucesso
x     
© SNFCE - Sociedade Numismática do Ceará

DESCRIÇÃO DO ANVERSO

Faixa central com a palavra TERÇA entre pontos, valor 1 sobre a faixa e era 1895 sob. Tudo orlado por ramos de café.

DESCRIÇÃO DO REVERSO

Na orla, legenda MANOEL JOSÉ D´OLIVEIRA FIGUEIREDO com florão separando início e fim. Na parte central, ESCRIPTORIO FAZENDA BOM SUCESSO BATURITÉ entre três estrelas superiores e três inferiores.

INFORMAÇÕES GERAIS

Moeda fabricada em 1895. Dada as suas características, é objeto de curiosidade para colecionadores e estudiosos. Moeda particular da Fazenda Bom Sucesso (Baturité, CE), de 1895, no valor de uma Terça (=12,8 litros). Essa medida corresponde à quantidade de café colhida, a qual era paga em réis. Fabricadas na Europa, provavelmente em Portugal.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS

Formato: circular
Diâmetro: 25 mm
Bordo: liso
Circulação: de 1896 a 1916

EMISSÕES

ano produção CRMB observações
1895 n/d 1895-L-001q2

REFERÊNCIAS EM CATÁLOGOS Krause KM# -

ano CRMB Prober Amato Vieira Bentes
1895 1895-L-001q2 - - - -

Fontes dos códigos de referência:
KM# - Código de referência Krause-Mishler, publicado no Standard Catalog of World Coins (2014)
CRMB - Código de Referência das Moedas Brasileiras, desenvolvido pelo site MoedasDoBrasil
Prober - código extraído do Catálogo das Moedas Brasileiras, de Kurt Prober, 3ª edição (1981)
Amato - código extraido do Livro das Moedas do Brasil, de Amato/Neves, 17ª. edição (2024)
Vieira - código extraido do Catálogo Vieira - Moedas Brasileiras, de Numismática Vieira, 14ª edição (2012)
Bentes - código extraido do Catálogo Bentes - Moedas Brasileiras, de Rodrigo Maldonado, 1ª edição (2013)

Fontes dos códigos de referência:
KM# - Standard Catalog of World Coins, Krause-Mishler (2014)
CRMB - Código de Referência das Moedas Brasileiras, MoedasDoBrasil
Prober - Catálogo das Moedas Brasileiras, Kurt Prober, 3ª ed. (1981)
Amato - Livro das Moedas do Brasil, Amato/Neves, 17ª ed. (2024)
Bentes - Catálogo Bentes, Rodrigo Maldonado, 1ª ed. (2013)

PADRÃO MONETÁRIO

MOEDAS PARTICULARES - (uso excepcional)
As chamadas “moedas particulares” foram instrumentos de troca criados por fazendeiros, comerciantes ou companhias privadas, em momentos e regiões onde a moeda oficial era escassa ou pouco prática. Elas tinham circulação restrita, mas eram aceitas localmente graças à credibilidade de quem as emitia.

PERÍODO POLÍTICO

República, República Velha (1889-1930)
A Primeira República Brasileira se estendeu desde a proclamação da República, em 15.11.1889, até a Revolução de 1930 que depôs o 13º e último presidente da República Velha, Washington Luís.

CONTEXTO HISTÓRICO

O ciclo do café na Serra de Baturité e suas moedas singulares

A cerca de 100 km de Fortaleza, a Serra de Baturité viveu, com a cultura do café, o seu período áureo — comparável, em importância regional, ao ciclo da borracha na Amazônia. Diferente de outras áreas produtoras, ali o café não dependia exclusivamente dos grandes latifúndios, mas florescia nas pequenas roças e capoeiras cultivadas por numerosos proprietários locais.

Entre eles, destacou-se a Fazenda Bom Sucesso, de Manoel José D’Oliveira. Sua localização privilegiada e abundância hídrica permitiram a construção de um “rodeiro” para beneficiar o café. Com essa estrutura, boas vias de comunicação e a confiança da vizinhança, Manoel passou a processar praticamente toda a produção da serra, tornando-se um dos maiores proprietários da região entre o final do século XIX e o início do XX.

Moedas de café
Com grande poder aquisitivo, Manoel foi além: mandou cunhar moedas na Europa — provavelmente em Portugal, segundo pesquisa do historiador Levy Jucá. Essas peças tinham uma particularidade única: em vez de trazer valores em réis, indicavam medidas de cereais, como um Alqueire, uma Terça, uma Quarta. O sistema facilitava a compra do café colhido, transformando as moedas em instrumentos práticos de negociação.

Credibilidade e circulação
Graças à confiança que Manoel J. D’Oliveira inspirava, essas moedas ganharam liquidez no comércio local e regional. Circularam por cerca de 20 anos, entre 1896 e 1916, sendo aceitas não apenas em Baturité, mas também em cidades vizinhas como Maranguape e Quixadá.  

Um capítulo curioso da história econômica
Essas moedas de café são hoje lembradas como um episódio singular da história monetária brasileira. Mais do que simples instrumentos de troca, elas revelam a criatividade e a força de uma economia regional, onde a confiança pessoal e o valor da terra se transformaram em moeda corrente.