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40 réis (1799)
1799-1799 Quebra do padrão monetário - Cobre
INFORMAÇÕES PRINCIPAIS
| Valor facial: | 40 réis |
| Denominação: | XL |
| Padrão Monetário: | Réis |
| Série: | Quebra do padrão monetário - Cobre |
| Período de emissão: | 1799 |
| Material: | cobre |
| Emissor: | Coroa Portuguesa |
| Fabricante: | Casa da Moeda de Lisboa |
| Situacao: | fora de circulação |
FACES DA MOEDA
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DESCRIÇÃO DO ANVERSO
MARIA. I. D. G. P. ET. BRASILIÆ. REGINA
DESCRIÇÃO DO REVERSO
PECUNIA TOTUM CIRCUMIT ORBEM
INFORMAÇÕES GERAIS
Moeda emitida pela Coroa Portuguesa e fabricada por Casa da Moeda de Lisboa em 1799, para circulação comum. Atualmente, está fora de circulação. Quebra do padrão monetário. Módulo menor. Florões verticais.
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
| Formato: | circular |
EMISSÕES
| ano | produção | CRMB |
|---|---|---|
| 1799 | n/d | 1799-C-040v |
REFERÊNCIAS EM CATÁLOGOS Krause KM# ?
| ano | CRMB | Prober | Amato | Bentes |
|---|---|---|---|---|
| 1799 | 1799-C-040v | C-965 | C-362 | 315.01.01 |
PADRÃO MONETÁRIO
RÉIS - R (22/04/1500-08/10/1833)
Monetário português, sem fundamentação legal no Brasil. Surgido no período colonial sob influência direta da moeda portuguesa, não se tratava de um sistema genuinamente brasileiro. Popularmente, adotou-se o plural “réis” em vez de “reais”.
Monetário português, sem fundamentação legal no Brasil. Surgido no período colonial sob influência direta da moeda portuguesa, não se tratava de um sistema genuinamente brasileiro. Popularmente, adotou-se o plural “réis” em vez de “reais”.
PERÍODO POLÍTICO
Colônia, D. Maria I - A Piedosa (1786-1799)
Maria I (1734-1816), apelidada de "a Piedosa" e "a Louca", foi a Rainha de Portugal e Algarves de 1777 até 1815, e também Rainha do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves a partir do final de 1815 até sua morte. De 1792 até sua morte, seu filho mais velho João atuou como regente do reino em seu nome devido à sua doença mental. Era a filha mais velha do rei José I e sua esposa a infanta Mariana Vitória da Espanha. Intensa produção de moedas de prata e ouro pelas Casas da Moeda do Rio, Bahia e Lisboa.
CONTEXTO HISTÓRICO
A Quebra do Padrão Monetário de 1799: quando o cobre perdeu peso, mas não valor
No final do século XVIII, o Brasil colonial vivia sob as regras econômicas ditadas pela Coroa Portuguesa. Em 1799, durante o reinado de D. Maria I, uma decisão aparentemente técnica mudaria o cotidiano das trocas comerciais: a chamada “quebra do padrão monetário”.
A medida reduziu à metade o peso e o tamanho das moedas de cobre, mas manteve o mesmo valor de face. Em outras palavras, uma moeda que antes carregava determinada quantidade de metal passou a valer o mesmo, mesmo sendo fisicamente menor e mais leve.
O antes e o depois
- O padrão antigo: moedas como as de XX réis e XL réis eram cunhadas com generosas proporções de cobre puro.
- O novo padrão de 1799: a mesma moeda de XX réis passou a ser fabricada com o peso que antes correspondia a uma de X réis.
O objetivo era claro: reduzir custos de produção e economizar cobre, um metal importado e caro, essencial para a cunhagem das moedas divisionárias — aquelas usadas no dia a dia, nos trocos e pequenas transações.
A confusão nas ruas
Se para a Casa da Moeda a mudança representava economia, para o comércio significou desordem. O valor facial da moeda se distanciou do valor real do metal que a compunha, abrindo espaço para falsificações e gerando desconfiança entre os negociantes.
O povo, acostumado a associar peso e tamanho ao valor, viu-se diante de um paradoxo: moedas menores que valiam tanto quanto as maiores de antes. A confiança na moeda foi abalada.
A tentativa de reorganização
Anos mais tarde, em 1809, já sob o governo de D. João VI, surgiu uma solução improvisada: o carimbo de escudete. As moedas de cobre cunhadas antes de 1799, mais pesadas e “honestas” em sua proporção de metal, receberam esse carimbo para que seu valor fosse dobrado no mercado. Assim, buscava-se distinguir as moedas antigas das novas, tentando colocar ordem na bagunça monetária.
Um episódio curioso da história econômica
A quebra do padrão de 1799 é lembrada hoje como um episódio emblemático da relação entre política econômica e vida cotidiana. Uma decisão administrativa, tomada para economizar recursos, acabou por gerar insegurança, confusão e até oportunidades para falsários.
Mais do que uma mudança técnica, foi um retrato da fragilidade de um sistema monetário em tempos coloniais — e de como o valor do dinheiro nem sempre está no metal que o compõe, mas na confiança que a sociedade deposita nele.